A jornada de The Boys finalmente chegou ao fim, e a série da Prime Video encerra sua história de forma muito mais esperançosa do que os quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson. Mesmo assim, a adaptação ainda mantém vários elementos importantes da obra original.
Desde o começo, The Boys nunca tentou copiar os quadrinhos cena por cena. A série seguiu seu próprio caminho, mudando personagens, motivações e até acontecimentos cruciais da história. Por isso, um final totalmente fiel aos quadrinhos parecia impossível desde as primeiras temporadas. E, honestamente, depois de tudo o que aconteceu até a 5ª temporada, repetir exatamente o desfecho original não faria muito sentido e provavelmente nem seria tão satisfatório.
Atenção: spoilers da 5ª temporada de The Boys abaixo.
Mesmo tomando decisões bem diferentes, o episódio final ainda presta homenagem ao material original. Existem mudanças gigantescas, mas elas combinam com a mensagem que a série quer transmitir. Ao mesmo tempo, os criadores deixam vários detalhes e referências que os fãs dos quadrinhos vão reconhecer imediatamente.
Como os quadrinhos de The Boys terminam

Nos quadrinhos, o final de The Boys é muito mais brutal e pessimista do que na série. Além disso, o confronto final entre Butcher e Capitão Pátria acontece de maneira bem diferente.
Assim como na adaptação da Prime Video, Butcher encara o Capitão Pátria na Casa Branca. Porém, todo o contexto muda completamente. Nos quadrinhos, o Capitão Pátria não está tentando se transformar em uma espécie de deus supremo. Na verdade, ele descobre que a Vought criou um clone seu, o verdadeiro Black Noir, responsável pelos crimes horríveis que acabaram sendo atribuídos a ele.
A série abandona totalmente essa ideia e transforma o Capitão Pátria em um vilão assumido desde o início. Por causa disso, o personagem precisava receber um destino mais merecido e impactante.
Na HQ, quem mata o verdadeiro Capitão Pátria é o Black Noir. Depois disso, Butcher enfrenta o clone e o mata usando um pé de cabra. Já na série, como o Capitão Pátria é realmente culpado por tudo o que fez, incluindo os abusos contra Becca, é o próprio Butcher quem finalmente acaba com ele. E sim, ele também usa um pé de cabra para destruir a cabeça do vilão, em uma clara referência aos quadrinhos.
Outra semelhança importante entre as duas versões é o destino de Butcher. Apesar das diferenças no caminho até ali, Hughie é responsável por matar Butcher tanto na HQ quanto na série. E o motivo continua praticamente o mesmo: Butcher está disposto a liberar o vírus anti-supes e exterminar todos os super-humanos.
A morte de Terror, o bulldog de Butcher, também influencia suas decisões nas duas histórias, embora de formas diferentes. Nos quadrinhos, Black Noir mata o cachorro, fazendo Butcher acreditar ainda mais que os supes precisam ser destruídos. Já na série, Terror morre aparentemente por causas naturais, mas isso contribui para o vazio emocional de Butcher e para sua sensação de que o ciclo da Vought nunca terá fim.
No final, Hughie acaba matando Butcher nas duas versões. Nos quadrinhos, isso acontece no Empire State Building e Hughie o mata com uma faca. Na série, o confronto ocorre na Vought Tower, e Hughie usa uma arma de fogo. O contexto muda, mas o resultado permanece igual.
O que a 5ª temporada muda completamente no final dos quadrinhos
Apesar de manter alguns elementos principais, a série altera quase todo o restante do desfecho original.
Black Noir morre antes do grande confronto final, assim como Frenchie. Nos quadrinhos, Butcher chega ao ponto de matar Frenchie, Leitinho e Kimiko antes que Hughie consiga pará-lo. Isso acontece porque, na HQ, todos os membros dos Boys possuem poderes, o que faz deles alvos do próprio Butcher.
A série evita transformar completamente o grupo em inimigos. Em vez disso, oferece finais mais positivos para alguns personagens. Leitinho consegue se reunir com sua família e ainda adota Ryan, enquanto Kimiko realiza o sonho de visitar a França e adota o cachorro que ela e Frenchie queriam.
O confronto entre Hughie e Butcher também ganha um tom mais emocional na adaptação. Antes de morrer, Butcher parece hesitar, deixando no ar a dúvida se ele realmente seguiria em frente com seu plano. Isso torna a cena ainda mais trágica, especialmente porque Butcher conforta Hughie nos seus últimos momentos.
Essa abordagem mais humana dá ao personagem uma despedida amarga, mas também mais emocionante. Por isso, a série faz questão de incluir um funeral digno para Butcher.
Hughie e Annie têm um final mais feliz na série

Nos quadrinhos e na série, Hughie e Annie terminam juntos. Porém, a adaptação muda bastante os detalhes desse encerramento.
Na cena final da série, os dois descobrem que estão esperando um bebê e ainda não são casados, algo que claramente incomoda a mãe de Annie. Nos quadrinhos acontece o oposto: Hughie e Annie se casam depois dos eventos finais, mas nunca é mostrado que terão filhos. Além disso, Hughie aceita um trabalho na CIA.
Outro detalhe importante é o destino do Profundo. Nos quadrinhos, ele sobrevive e continua trabalhando para a Vought após toda a confusão na Casa Branca. Já na série, ele enfrenta Annie em uma batalha final e acaba sendo jogado no oceano, onde é morto por criaturas marinhas.
Enquanto isso, o desfecho do Capitão Pátria na série é muito mais satisfatório. Além de perder seus poderes em rede nacional, ele implora pela misericórdia de Butcher diante das câmeras, um fim humilhante que combina perfeitamente com tudo o que o personagem se tornou.
Afinal, qual final é melhor: série ou quadrinhos?
É difícil dizer que existe uma versão “melhor”, porque as duas histórias seguiram caminhos completamente diferentes.
A série da Prime Video simplesmente não poderia copiar o final original sem parecer incoerente. Seu Capitão Pátria é muito mais monstruoso, enquanto o Butcher da adaptação ainda mantém certos limites morais que o personagem dos quadrinhos nunca teve.
Além disso, a série aposta mais na ideia de que o bem pode vencer o mal, mesmo que isso exija sacrifícios enormes pelo caminho.
Por causa disso, o final da adaptação acaba sendo mais esperançoso e emocionalmente satisfatório. Já os quadrinhos seguem uma linha muito mais cruel, sangrenta e pessimista, algo que combina perfeitamente com o tom da HQ.
No fim das contas, a série conseguiu entregar um encerramento coerente com sua própria trajetória. Pode não agradar todos os fãs dos quadrinhos, mas funciona muito bem dentro da história que vinha construindo desde o começo.
Você pode gostar: Sequência de “A Paixão de Cristo” ganha primeira imagem oficial




