A Max trouxe de volta aos holofotes uma personagem lendária da literatura brasileira com uma abordagem mais intensa, atual e cheia de personalidade. Dona Beja revisita a trajetória de Ana Jacinta de São José, figura real que inspirou o romance histórico de Agripa Vasconcelos, em uma série que mistura política, desejo, drama social e conflitos morais com uma narrativa que prende desde o início.
Mas não espere uma típica história de época. A série usa o passado como pano de fundo para discutir temas que continuam extremamente presentes hoje, especialmente para o público jovem: liberdade, reputação, poder e o peso do julgamento social.
Uma mulher que desafia o próprio tempo
A trama começa com Ana Jacinta ainda jovem, vivendo de forma simples, até ter sua rotina destruída ao ser levada contra a própria vontade para um ambiente dominado por interesses políticos e sociais. Esse acontecimento muda completamente sua trajetória.
Anos depois, quando retorna à sua cidade, ela já não é mais vista como a mesma pessoa. Agora conhecida como Dona Beja, passa a ocupar uma posição desconfortável na sociedade: ao mesmo tempo admirada, desejada e rejeitada. Sua presença mexe com estruturas que pareciam intocáveis.
O que torna a personagem tão marcante é sua recusa em aceitar o papel que a sociedade tenta impor às mulheres da época. Ela decide escrever a própria história, mesmo que isso signifique enfrentar autoridades, elites e até antigos vínculos afetivos.
Entre desejo, poder e hipocrisia social
Ao longo dos episódios, a série constrói um retrato forte das tensões entre desejo individual e repressão moral coletiva. Dona Beja se transforma em símbolo de autonomia feminina, mas também no principal alvo de julgamentos e ataques.
A narrativa equilibra momentos íntimos com confrontos públicos, mostrando como sua postura escancara a hipocrisia de uma sociedade guiada por aparências. Mesmo ambientada no passado, a discussão sobre controle social, reputação e liberdade feminina soa extremamente atual.
Atuações que elevam a série
Grande parte da força de Dona Beja vem do elenco.
Grazi Massafera entrega uma protagonista cheia de nuances, alternando fragilidade emocional e firmeza com naturalidade. Sua interpretação dá profundidade à personagem e sustenta o peso dramático da trama.
David Junior assume um papel central nas questões emocionais da história, especialmente ligadas ao passado da protagonista. Bianca Bin também se destaca ao representar os contrastes morais e sociais que atravessam a narrativa.
Os personagens secundários ajudam a ampliar o universo da série, reforçando o clima de tensão que gira em torno de Dona Beja.
Por que Dona Beja chama tanta atenção?
A série se destaca por unir produção cuidadosa, figurinos detalhados e uma narrativa focada no desenvolvimento psicológico dos personagens. Mais do que contar uma história de época, Dona Beja propõe reflexões que dialogam diretamente com o presente.
Para quem gosta de dramas históricos intensos, com personagens fortes e conflitos densos, essa é uma escolha certeira no catálogo da Max.
No final, Dona Beja se firma como uma das produções brasileiras mais impactantes do streaming recente. Uma série envolvente, provocadora e difícil de largar depois do primeiro episódio.





